Questão negra, marxismo e classe operária no Brasil Ver maior

Questão negra, marxismo e classe operária no Brasil

Produto novo

Título: Questão negra, marxismo e classe operária no Brasil

Organizadores: Daniel Alfonso e Daniel Matos

Páginas: 138

ISBN: 978-85-61474-11-9

Edições ISKRA

São Paulo

Ano: 2013

1ª Edição

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R$ 15,00 s/ imposto

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O conjunto dos ensaios demonstra como a forma específica de desenvolvimento do capitalismo brasileiro depende orgânica e estruturalmente da fusão entre a burguesia capitalista, o latifúndio e o capital imperialista. Tal dependência está fundamentada na negação de uma reforma agrária que permitisse o desenvolvimento de uma acumulação primitiva de capital interno capaz de assentar as bases para uma economia nacional relativamente mais independente do capital estrangeiro. A Lei de Terras, implementada no Brasil em 1850, duas semanas depois de promulgada a lei que extinguiu o trafego negreiro, teve a função de impedir que os negros “livres” e os colonos imigrantes se assentassem como camponeses para sobreviver da terra. Por mais importante que fosse a realização de algum nível de reforma agrária para o desenvolvimento de um mercado interno, o medo que a burguesia brasileira nascente tinha de uma possível revolução das massas negras determinou o aprofundamento de sua dependência em relação ao grande latifúndio e ao capital imperialista.

Os trabalhos A questão negra na formação do proletariado no Rio de Janeiro, Identidade negra e subjetividade proletária e O racismo como pilar estruturante da formação do Brasil debatem a complexa relação entre a transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado, a luta contra a opressão racial ao povo negro e a constituição da classe trabalhadora como um sujeito político independente.

O texto A estratégia de independência de classe frente às tarefas democráticas resgata os debates estratégicos e programáticos feitos na III Internacional antes de sua degeneração stalinista e na IV Internacional acerca da questão negra como parte das tarefas democráticas historicamente não resolvidas pela burguesia. Deste resgate, destacamos a concepção que define porque as tarefas democráticas mais sentidas pelas massas dos países atrasados só podem ser resolvidas se a classe operária as assume a luta política contra todas as frações da burguesia.

Em O PCB frente à questão negra e O assensos negro dos anos 70-80 e a tradição petista, partindo de um relato da profunda relação que historicamente se estabeleceu entre os assensos da luta de classes no país e os assensos da luta negra, debatemos como o anarco-sindicalismo das primeiras décadas do século XX, o stalinismo, o petismo e as correntes de origem trotskista nunca encararam a questão negra como um problema fundamental para que a classe operária pudesse emergir como um sujeito político independente da burguesia. Nenhuma delas encarou a resposta à questão negra como uma pré-condição para que a classe trabalhadora pudesse afirmar-se como sujeito político ao mesmo tempo em que afirmava a identidade negra de amplos contingentes de seus batalhões, e por essa via não só unificar suas fileiras trazendo para a linha de frente os setores mais explorados da classe, mas também hegemonizar as massas negras não proletárias que historicamente compuseram a maioria mais oprimida do país. Tal contribuição demonstra como o balanço do golpe de 64 e da posterior transição à democracia, ao diminuírem as tendências revolucionárias do movimento de massas e embelezarem o papel cumprido pelo stalinismo e pelo petismo, são funcionais ao abandono da estratégia de independência de classe para encarar as questões democráticas; ao mesmo tempo em que constituem um fundo ideológico às concepções reformistas que negam a possibilidade e a necessidade da revolução proletária.

Por fim, o trabalho Ofensiva neoliberal, ‘ações afirmativas’ e estratégia revolucionária busca refletir sobre os impactos que as derrotas que a classe operária mundial sofreu nessas décadas impactou sobre a questão negra, e particularmente como as ações afirmativas se constituíram como um instrumento a serviço das elites dominantes para cooptar e disciplinar o movimento negro à miséria do possível determinada pelo “Estado mínimo” neoliberal. A partir dessa análise, polemizamos com a maneira pela qual a esquerda que se reivindica socialista e revolucionária se adaptou às ações afirmativas e apontamos chaves programáticas para responder à questão negra nos dias atuais.